quinta-feira, 29 de julho de 2010

MEU MUNDO E NADA MAIS (Guilherme Arantes)

Não estou bem certo
Que ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

ENDORFINA (uma alternativa)

Se a vida doer corra

Antes que ela escorra

Faça a maior zorra

Depois morra

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O VAZIO

O VAZIO avassalador sequestrou a minha mente
E num repente me olhou de frente

Assustada saio a coletar alegrias fugidias
Na tentativa vã de amortecer o horror do nada

Em fuga penso num deus magnânimo
fazendo valer a minha corrida ou a luta da formiga

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Férias sem grana

Dez dias de férias e a opção é descansar.
Uma opção feita para o tamanho do meu bolso.

Hoje, vou ler.
Ontem caminhei.
Amanhã, vou deixar pra amanhã.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Isabela Inácio Francisco (meus netos)

Brincar de:

cantar Raul Seixas (gritando muiiiiiiiito)
inventar histórias
viajar (sem tirar os pés do chão)
e rir, mas rir muito

recheia a vida
enfeita o rosto

Amo-os antes agora e sempre

sábado, 17 de julho de 2010

SAPATO 36

Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez

Pai eu já tô crescidinho
Pague pra ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto

Por que cargas d'águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar

Pai já tô indo-me embora
Eu quero partir sem brigar
Já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar (Êêêê)


Composição: Raul Seixas

terça-feira, 13 de julho de 2010

ESCONDE-ESCONDE

Segredo segredos

Rio brinco fujo

faço de conta

Séria Sigo

não digo

Escondo

domingo, 11 de julho de 2010

NUVEM NEGRA - DJAVAN

Não adianta me ver sorrir, espelho meu riso é seu
Eu estou ilhada.
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o jogo (jô)
Não vou sair, se ligarem, não estou.

Amanhã que vem
Nem bom dia eu vou dá
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei...

Tá dificil ser eu
Sem reclamar de tudo
Passa nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal que me arrasou
Pra que não faça sofrer mais ninguém

...

sábado, 10 de julho de 2010

SISMO e CISMO

Tenho a terra sob meus pés (meu destino é o fundo dela)
E uma janela enquadrando o meu olhar

Deslizo por meus abismos (cismo)

Sinto que vou colidir com a minha geografia (sismo)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desempenho

Minhas notas nas provas da vida continuam fracas ou regulares. Raríssimas exceções, me aparecem alguns azuis pela frente.

Muito pouco a fazer.

Serra do luar

(composição Walter Franco)
...
Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento

...

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na quitanda

( Zeca Baleiro e André Bedurê)

Na quitanda tava eu ouvindo Miriam Makeba
Uma canção antiga

Na quitanda chorei eu ouvindo aquela cantiga
de saudade doída

Tinha ido eu na quitanda
Comprar cana fumo comida
Nego forro nessa quimbanda
Escravo da dor dessa vida

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tem horas em que...

Ser contido
Ser polido
Ser adulto
Ser sensato
QUE SACO!!!!!!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu detesto coca light

Composição: Zeca Baleiro e Chico César

Eu detesto George Bush desde a guerra do Kwait
Não quero que tu te vás mas se tu queres ir vai-te
Quero adoçar minha sina que viver tá muito diet
Danação é cocaína mesmo quando chamam bright
Gosto de você menina mas detesto coca light

Gosto de sair à noite de tomar um biri night
Jurubeba tubaína Johnny Walker Black White
Me afogo na cangibrina caio no tatibitáti
Tomo cinco ou seis salinas feito fosse chocolate
Engulo até gasolina mas detesto coca light

Fazem da boate igreja da igreja fazem boate
Poem veneno na comida cicuta no abacate
Eu cuido da minha vida não sou boi que vai pra o abate
Podem cortar minha crina podem partir pra o ataque
Podem me esperar na esquina mas detesto coca light

Deus é o juiz do mundo ele apita o nosso embate
Nem Carlos Eugênio Simon nem José Roberto Wright
A partida não termina prorrogação e penálti
A torcida feminina dá o molho ao combate
Aprendo o que a vida ensina mas detesto coca light

Tolerância zero fome zero coca zero
No quartel do mundo eu sou o recruta zero
Quero quero tanta coisa
E só me dão o que não quero

segunda-feira, 5 de julho de 2010

COMEMORAÇÃO

Com direito a bolo, 92 velinhas, todos os amigos presentes e o pedido de um discurso, iniciaram a comemoração do seu aniversário.

Ela trazia o semblante elegante, a aparência calma. Com a voz quase firme, pediu silêncio, já não tinha mais a mesma potência vocal. Com o apoio de um microfone, iniciou o discurso...

Meus amigos, passei a vida querendo pegar a felicidade, nem que fosse pelo rabo, sem perceber que a corrida seria inglória. Cansei de me cansar e a danada, irônica que é, me permitiu apenas tocá-la, vez ou outra. Hoje, numa quietude forçada, percebo que ela gosta mesmo é de desprezo, não quer ser afagada por ninguém. Portanto, aquietem-se e ela vem.

Um dos filhos, único familiar presente, já que o asilo ficava distante numa cidade de difícil acesso, diz emocionado: é invejável a sua lucidez!

Ao que ela, sem movimentar a cabeça pra qualquer direção, responde:

Lucidez? Não, aqui não vivem lúcidos, aqui...

Sem terminar a frase, com ares de quem estava longe, distante, transformando aqueles segundos em horas e com um peso maior que o mundo, silenciara.

Passados aqueles instantes desconfortáveis, como se voltasse da própria vida, olhou demoradamente para os presentes e cortou o primeiro pedaço de bolo que, sorrindo, ofereceu para a sua gatinha que esperava acomodada no seu colo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

COQUETEL MOLOTOV

(Que um camelo me leve pra onde existir água - aprendi com os homens azuis)

As paredes mais quietas que o normal, não porque queriam ouvir, temiam o suspense inexplicável que pairava. Se aquele suspense tivesse cheiro diriam que era o feminino (melhor aquietar-se).

No quarto lilás, hormônios adolescentes brincavam e, na algazarra infantil, confundiam tudo.

No quarto azul tinha ela, e nela, ah! nela, o maldito climatério se embandeirava.

A esperança escondia-se no banheiro, cheio de segredos, trancado a mil chaves. Assim que ela tomasse um banho tépido, não, ela não gostava de banhos tépidos, frouxos, tinha que ser quente, muito quente, podia mudar a história de um dia, daquele dia.

Os outros cômodos, incômodos com o que se passava ali, espremiam-se na tentativa de ouvir o som da água que caía. O ar denso e perfumado ia escapulir assim que a porta do banheiro se abrisse, de onde ela poderia sair saltitando até o quarto azul, ou gritando para o quarto lilás.

Parte da casa sentia haver um certo demérito com o que julgavam predileção do banheiro e mais ainda com o alumbramento que vivia no quarto azul, que inocente (?), provocava inveja em todos os outros ambientes. De ares sempre calmos, sempre a exibir-se. Palco de grandes concertos e vasta biblioteca.

A pobre sala, que em dia de paz ,era mais utilizada pela adolescente em função do computador, vivia solitária, pouquíssimas visitas.
Pra completar, uma cadela, ainda virgem, em pleno cio, latindo nervosa ante qualquer ruído.

Ambiente bombástico! Inchado, dolorido.

O que os móveis não entendiam, por mais calados que se fizessem, era por que tudo se repetia sempre, mas como tinham ouvido certa vez: é só deixar o fogo perto da estopa e o diabo vem e assopra.

Na noite anterior, ao deitar-se, ela, sentia o que pressentia na pulsação e na força daquele silêncio que escondia uma receita, velha conhecida. Estava mais cheia que a lua cheia.

O apartamento acordara às 6 horas com o toque do despertador, rotina e rotina, nada além.

A menina deixara seus rastros de desordem por onde passara depois de horas na internet. A desordem era a mesma de outros dias, mas naquele, tinha ares de afronta, de propósito, de intento.

A cadela, no cio, demarcara terreno no meio da sala, pobre sala. Tão ampla, mas tão abandonada.

As paredes do corredor temiam o trajeto que ela faria ao atravessá-lo, indo do quarto pra sala. Sabiam que aquilo não podia dar em águas calmas. A pressão arterial alcançaria o teto, o dia derramaria sangue, menstruaria. Ela tesa, cega, irascível, sem lógica, tomada pela histeria embarcaria na montanha russa enquanto suas carnes, músculos, ossos se partiriam e o líquido, mais inflamável, cobriria um alvo, qualquer alvo.

Mas, em todo caos, sempre uma saída. E, nesta história, a porta que liberta, seria um telefonema, ou um e-mail, marcado em negrito, acalmando as garras daquele dia.

Ela era capaz de lembrar cada palavra do último que recebera: o coração pulsa sangue, só, a alma não me existe. me adore com seu cérebro, é como eu amo você.

Assim fizera: ligara o computador vivendo a expectativa do jogador brasileiro na boca do gol (final da copa:Brasil X Argentina). Pra ela bastaria um bom dia, sem beijos de despedida, um bom dia e ponto. Enquanto olhava a caixa de entrada de mensagens buscava condescendência em alguma lacuna, já que só sabia viver em lacunas e nunca em certezas.

Não tinha e-mail, não houve telefonema. Esperou uma hora, duas horas, eis que na terceira, EXPLODIU!!!!!!!!! Seu último pensamento lúcido foi Ismália (Alphonsus de Guimarães).

O surto começou com ela rasgando as vestes, já nua, arrancou a coleira da cachorra, e, sem titubear, abriu a porta do apartamento e aos gritos clamava: meu cérebro afeta meu coração porque é nele que sinto as coisas, ele dóiiiiiiiiiiiii.

A cachorra, porta aberta, livre das paredes que a aprisionavam, corria, corria, corria, sem olhar pra trás. Um rastro de sangue marcava seus passos.

O primeiro humano a conseguir aproximar-se era um ser não temente, e como o diabo não é tão feio assim como se pinta, conseguiu segurá-la pedindo que acabasse com aquilo de bancar a desesperada. Fez isso esbofeteando-a. Havia aprendido isso em algum lugar, além do que sabia-se um sábio, superior. Fazia tudo com firmezas características. Nunca precisou de Deus.

As certezas dele a desnorteavam ainda mais e o seu grito já era primal, bestial: arranque meu cérebro, ele não funciona. O que dói em mim é o coração.

Ele, aos trancos, respondia: ah dói sim, mas tudo acontece no cérebro, sempre é nele.
[(haviam se encontrado, ele na porta de entrada, ela na de saída (da vida)].

Ele a repetir: tudo é cérebro, tudo é cérebro; Ela a gritar: mas é meu coração que está a sentir, a doer, e não meu cérebro; E ele: mas é no cérebro...

Enquanto isso, paredes e móveis quietos, tristes, tentavam avisar aquele homem sobre o que fazer naquelas crises, mas ele não tinha ouvidos para ouvir paredes e móveis, nem olhos para ver, apenas as próprias certezas.

Mesmo assim, abraçados num feixe, pensavam: vamos insistir, quem sabe ele sai uma única vez de suas vestes e, livre, sua alma, (não sabiam que ele não tinha alma), passa a ouvir os nossos segredos que estão escondidos no silêncio de tudo o que não foi dito. Como num mantra, em uníssono, diziam: leve-a para o quarto azul, coloque a música do Chico e, em suas mãos, um livro do Rilke. Isso a fará acalmar-se e parar de chorar e então, o sangue conseguirá fluir enquanto as lágrimas de sempre lavarão as suas faces transtornadas.

É sempre assim. Ela é assim: insana, demente, transparente, absolutamente impotente, não é preciso força nenhuma para detê-la.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Estou voltando, desta vez, com: ASSASSINATO PREMEDITADO (que medo rsrsrs)

Acima do bem e do mal te guardei, sim, mas escondi alguns segredos.
Deixei você pensar que era o perfume caro que me encantava
quando era você que eu respirava
Você, inocente liberto, com o mundo se atracava
enquanto, por máxima culpa, numa cela eu mergulhava.
Quanto mais eu me debatia, mais você proliferava.
Brotava na rua, em mãos entrelaçadas que sorriam.
No poeta, em versos que me engoliam.
No sono, em desejos que me consumiam.
Até na TV, em apelos banais que me comoviam
...
Diante de cada sol que nascia
inusitados juramentos eu fazia
Extirpá-lo-ia das entranhas, já que a luz do dia não te permitia!
Mas como um desvario, da razão você escapulia
Vencedor inocente, sem esforço, me destruía
Sem pejo ia me doendo
Das minhas lágrimas se regava, e por elas florescia.
Soube ferir com louvor e tripudiar com maestria.
DECIDI MATÁ-LO!!!
Expus ao mais alto risco o teu gosto
Trouxe-o do fundo à tona
Veio tímido, as faces rubras
A soberba do amor que a tudo resistia, massacrei-a
no mais imundo lodo
Dobrei seu dorso e, trêmula, entreguei-a
Nos teus olhos desconfiados
Em andrajos eu me via
Era caridade o que eu lia
No meu peito um barulho quase me traía
Gritava que era amor o que eu queria
Mais uma vez te enganei
No sacrifício do teu beijo, você cria, uma alma salvaria.
Bom e belo samaritano...
No sacrifício explícito que você cometia
Vinha o veneno que aquele amor mataria
Mas, disso, só eu sabia.